

O regime do presidente sírio Bashar al Assad reforçou a repressão nesta terça-feira (10) contra manifestantes que pedem reformas democráticas em todo o país. Tanques e novas tropas do Exército foram enviados para tomar conta de várias cidades que são palco de protestos.
Ativistas dos direitos humanos afirmam que 757 pessoas morreram desde o início das manifestações, no dia 15 de março, segundo a agência AP (Associated Press). Mais de 450 foram presos desde sábado (7) na cidade litorânea de Banias - inclusive lideranças que organizaram protestos no último fim de semana.
Dentre os detidos em Banias, 300 foram libertados na noite desta terça, de acordo com o jornal espanhol El País. A publicação informa também que a distribuição de água, luz e telecomunicações já foi restabelecida.
O diretor da Organização Nacional de Direitos Humanos na Síria, Ammar Qurabi, revelou nesta terça à AP que o grupo possui uma lista com nomes, idades, causa de morte e local de óbito de 757 pessoas mortas durante a repressão aos protestos por reformas. Analistas ouvidos pela agência destacaram que, durante as manifestações que derrubaram os ditadores de seus respectivos países, 219 pessoas morreram na Tunísia e outras 846 no Egito.
Lideranças
Em Banias, às margens do mar Mediterrâneo, as Forças Armadas tentam prender outros líderes da oposição como Anas al-Chaghri, disse Rami Abdel Rahman, presidente do OSDH (Observatório Sírio dos Direitos Humanos).
Pelo menos 50 militantes políticos foram presos na segunda-feira (9). Entre eles estavam Hassan Zahra, o presidente do Partido Comunista (considerado um partido clandestino pelo governo de Assad), e seu filho. Eles foram detidos na região de Salamiya, ao norte da Síria.
No entanto, seis figuras da oposição, como o advogado Hassan Abdel e o escritor Fayez Sara, foram libertados nos últimos dois dias, segundo um advogado ouvido pela France Presse.
De acordo com Qurabi, milhares de pessoas foram presas pelas forças de segurança desde o início das revoltas. Destes presos, pelo menos 9.000 continuam na cadeia.
Protestos seguem apesar de reforço militar
Mesmo com a repressão, o portal Syrian Revolution 2011 indicou por meio da rede social Facebook que “os protestos continuarão diariamente”. Manifestantes convocaram para uma “terça-feira de solidariedade com os presos e de consciência sobre as prisões do regime criminoso da Síria”.
Na noite de segunda-feira, em Damasco, cerca de 200 manifestantes protestaram na Praça Arnus, no centro da capital, para exigir o fim do estado de sítio de algumas cidades do país. As forças de segurança chegaram, dispersaram os manifestantes e prenderam algumas pessoas.
Apesar do aumento dos protestos, o regime do presidente Assad se mantém no poder graças à fraca reação internacional e à fidelidade do Exército local, dizem os analistas internacionais.
Em entrevista ao jornal americano The New York Times, a assessora de imprensa de Assad, Bouthaina Chaabane, afirmou que "o pior da revolta já passou".
Ocidente se mobiliza para condenar Síria na ONU
Os países do Ocidente lançaram uma nova tentativa para que o Conselho de Segurança da ONU condene a Síria pela sangrenta repressão às manifestações contra o regime, disseram fontes à France Presse.
Recentemente o país se recusou a permitir a passagem de uma missão de avaliação humanitária das Nações Unidas na cidade de Deraa, um dos principais focos de protestos no sul do país, informou o representante do Reino Unido ao Conselho de Segurança na segunda-feira. O Reino Unido lidera as negociações dirigidas a apresentar uma resolução contra o regime de Bashar al Assad - e espera que esta seja aprovada pelo Conselho de Segurança em breve.
Paralelamente, os países ocidentais reforçaram sua campanha para evitar que a Síria obtenha um posto no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que será votado na próxima semana.
Contudo, os esforços para pressionar a Síria encontram resistência na Rússia, na China e em outros integrantes do Conselho de Segurança, que é composto por 15 membros. Esses membros têm protestado ainda em relação aos bombardeios aéreos da Otan na Líbia, alegando que foram maiores do que o autorizado pela ONU.
Embargo
Na sexta-feira, a UE (União Europeia) aprovou formalmente um embargo de armas contra a Síria, proibindo também a concessão de vistos de entrada e congelando os bens de 13 sírios importantes nos países da União.
O irmão mais novo do presidente, Maher al Assad, de 43 anos, chefe da Guarda Republicana, lidera a lista das pessoas que sofrerão as sanções. Apresentado como o principal “arquiteto da repressão aos manifestantes” na lista europeia, o general Ali Mameluco e o novo Ministro do Interior, Mohamad Ibrahim Al Chaar, nomeado no dia 28 de abril, também tiveram os bens congelados.
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