quarta-feira, 11 de maio de 2011

Chávez prometeu US$ 300 mi às Farc. E ainda deu calote


Relatório divulgado em Londres mostra que ditador venezuelano cedeu apoio, armas e dinheiro a terroristas colombianos, enfraquecendo governo do vizinho

ditador venezuelano Hugo Chávez prometeu 300 milhões de dólares em 2007 às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo terrorista ao qual forneceu apoio político e acesso territorial. Essas são algumas das conclusões de uma análise do material apreendido com o ex-líder rebelde conhecido como Raúl Reyes, divulgadas nesta terça-feira, em Londres, pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).

O relatório afirma ainda que a chegada de Rafael Correa à Presidência do Equador, em 2007, depois de ele "solicitar e aceitar recursos ilegais das Farc" durante a campanha, foi para a guerrilha colombiana o "clímax" de anos de esforços para infiltrar-se no Equador. Sobre a Venezuela, o documento destaca que, apesar da guerrilha ter chegado à Venezuela muito antes de Chávez, a relação se fortaleceu com o acesso dele ao poder, em 1999.

"Desde 2000, Chávez teve a clara intenção de fornecer apoio financeiro em uma escala calculada para afetar o equilíbrio estratégico da Colômbia", avalia o relatório. Em 2007, por exemplo, ele prometeu ao grupo 300 milhões de dólares", diz o texto, resultado de dois anos de análises dos milhares de arquivos encontrados nos três laptops, dois discos rígidos e três pen drives encontrados no acampamento das Farc em que Raúl Reyes foi morto.

Dinheiro e armas - Reyes era o número dois do grupo rebelde e foi eliminado em 1º de março de 2008, após um bombardeio colombiano em território equatoriano. Os autores do relatório dizem que parece que Chávez não cumpriu a promessa financeira - mas destacam que nada permite afirmar que a oferta foi retirada. O instituto acrescenta que aconteceram "algumas transferências de valores menores de dinheiro, armas e munições" da Venezuela aos terroristas.

A aliança permitiu ao grupo ter acesso a sócios comerciais da Venezuela, como Bielorrússia e China - que, segundo o IISS, "em diferentes momentos mostraram interesse em fornecer armas às Farc" por meio de acordos triangulares através das exportações de petróleo venezuelanas. Os arquivos mostram que o ditador também concedeu às Farc um "importante respaldo político para promover sua legitimidade no exterior" e "prejudicar os interesses do governo colombiano".

Jogo de cena - Como se isso não bastasse, Chávez permitiu aos rebeldes "utilizar livremente o território", apenas com algumas "restrições menores". Apesar dos riscos diplomáticos que acarretava, a relação com as Farc tinha para Chávez um "elemento defensivo" ante uma aliança entre Colômbia e Estados Unidos, que ele considerava um "verdadeiro perigo", sobretudo depois de quase ser derrubado por seus opositores internos em 2002.

Por isto, afirma o documento, "apesar de em várias ocasiões Chávez ter pedido às Farc que abandonassem a luta armada e buscassem uma solução política, ele fez isso apenas para desviar a pressão internacional". Depois, sempre recuava e voltava a ajudar os terroristas. Nesse contexto, o instituto considera "improvável" que a retomada das relações entre Caracas e Bogotá desde a chegada ao poder de José Manuel Santos na Colômbia em 2010 possa ser duradoura.

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