sexta-feira, 15 de julho de 2011

EUA sem acordo à vista mas sob pressão externa


Os mercados começam a perder a fé num acordo e as agências de rating estão prontas para retirar aos EUA a sua nota máxima, o famoso triple A.

Quase uma semana depois do início das negociações, a administração de Barack Obama e os republicanos não conseguiram ainda entender-se sobre um plano de consolidação orçamental, que sirva como "moeda de troca" para aumentar o limite legal de endividamento do país.

Os EUA atingiram o tecto máximo de dívida de 14,3 biliões de dólares (10 biliões de euros) em Maio e, desde então, têm recorrido a medidas extraordinárias para honrar os compromissos. Se até 2 de Agosto não houver um acordo, o país deixa de ter dinheiro para pagar aos seus credores, quer se trate de salários, de pensões ou dos juros da dívida. Um default geraria perdas nos mercados accionista e da dívida e empurraria os EUA para uma nova recessão, que teria repercussões na economia mundial.

O aumento do limite legal de endividamento tem sido uma prática comum na história política americana. Desde 1962, o Congresso já teve de aprovar 74 aumentos aos tectos de dívida. O problema é que, desta vez, a proximidade das eleições presidenciais de 2012 está a levar ambas as partes a radicalizarem as posições.

Na quarta-feira, depois de duas horas reunido com a oposição, Barack Obama terá abandonado o encontro de forma abrupta, depois de ter sido interrompido pelo líder republicano da Câmara dos Representantes, Eric Cantor (ver caixa). Obama terá dito que tinha atingido o seu limite e que não iria abdicar de um acordo de longo prazo para a redução da dívida.

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, apresentou uma proposta para dar ao presidente poderes para aumentar o endividamento como entender, pedindo em contrapartida cortes na despesa. A ideia, que eliminaria a ameaça de default, não foi, contudo, bem recebida pelos membros mais conservadores do seu próprio partido, que não querem sacrificar a possibilidade de conseguir cortes na despesa mais profundos por parte do Governo.

Já a Casa Branca, por sua vez, quer aproveitar esta oportunidade para conseguir um acordo de longo prazo para reduzir o défice. Só que, deste plano, faz parte um aumento de impostos sobre os mais ricos, algo que os republicanos rejeitam terminantemente, dizendo que terá impacto sobre o investimento e a economia.

Triple A em risco

Enquanto o desentendimento prossegue no palco político, aumenta a pressão externa para uma resolução rápida da situação. Numa declaração inesperada, a China, que o é maior credor estrangeiro dos EUA (com mais de 1 bilião de dólares em dívida americana), apelou a Washington para que adopte políticas responsáveis para proteger os interesses dos investidores.

O apelo surge na sequência de um aviso da Moody"s, que reduziu, na semana passada, o rating de Portugal a "lixo". Na quarta-feira à noite, a agência colocou o rating dos EUA sob vigilância negativa e disse que, se o país não chegar a acordo para aumentar o limite de endividamento, sofrerá um corte no seu rating, que está no nível máximo (AAA, o famoso triple A). A decisão seria histórica, mas arrisca-se a não ser única.

É que outra agência, a Standard & Poor"s, atribuiu em Abril um outlook (perspectiva) negativa ao rating americano, o que indica que pode vir a baixá-lo no prazo de 12 a 18 meses. E, de acordo com a Reuters, voltou ontem a repetir o aviso, dizendo, em privado, às autoridades e aos líderes empresariais que, se os EUA falharem algum pagamento, seja de dívida ou de pensões, o rating será revisto.

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