slamabad. Os filhos do terrorista Osama bin Laden consideraram "inaceitável e humilhante" que o corpo do ex-líder da Al Qaeda tenha sido lançado ao mar e ameaçaram levar o presidente americano Barack Obama à justiça como "responsável" pelo destino do pai.
"É humana e religiosamente inaceitável ver uma pessoa desse nível e dessa importância para seus parentes ter seu corpo lançado ao mar de uma forma humilhante para sua família e seus adeptos, e que fere os sentimentos de centenas de milhões de muçulmanos", afirmou Omar bin Laden em um comunicado divulgado pela internet em nome de seus irmãos e citado pelo centro americano de vigilância de sites islamitas SITE. "Consideramos o presidente Obama, em pessoa, legalmente responsável pelo destino de nosso pai, Osama Bin Laden", acrescentou Omar.
"Como filhos de Osama bin Laden, nos reservamos o direito de levar os responsáveis por esse crime à justiça americana e internacional para esclarecer a respeito do destino de nosso pai desaparecido", finaliza.
Inimigo público número um dos Estados Unidos desde os atentados de 11 de setembro de 2001, Osama bin Laden foi morto em uma operação de um comando americano contra a casa onde estava escondido em Abbottabad, no Paquistão. O corpo foi jogado ao mar.
Suposto vídeo
A Al Qaeda acusou o governo dos Estados Unidos de ter usado imagens falsas de Bin Laden e questionou a autenticidade de um dos vídeos divulgados pela Casa Branca no qual um homem de barba branca aparece assistindo televisão. Segundo o governo Obama, o homem seria o terrorista morto.
"Todos devem ficar atentos: os Estados Unidos mentem", afirmaram membros do site Shumuj al Islam, que divulga vídeos do grupo radical.
As imagens foram divulgadas pelos Estados Unidos dias após a morte do terrorista em sua fortaleza no Paquistão. O governo americano informou que as forças americanas apreenderam cinco vídeos e diversos documentos na residência.
Enquanto isso, as relações entre Estados Unidos e Paquistão continuam instáveis. Ontem, os americanos realizaram o segundo ataque de drones (aviões não tripulados) em território paquistanês após o assassinato de Bin Laden.
Os dois ataques estão sendo interpretados por analistas como um desafio dos Estados Unidos às advertências do governo paquistanês contra as violações de sua soberania.
Ontem, o ex-presidente e ex-ditador militar do Paquistão, Pervez Musharraf, negou que seu governo tivesse fechado há anos um acordo com os Estados Unidos para permitir que os norte-americanos matassem ou capturassem Bin Laden.
INFORMAÇÕES IMPORTANTES
Viúvas serão interrogadas
Os Estados Unidos pretendem interrogar três viúvas do líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, que se encontram detidas no Paquistão a fim de obter mais informações sobre as atividades da rede terrorista. No entanto, até o momento não houve confirmação oficial de que autoridades americanas terão acesso às mulheres.
Caso o Paquistão decida permitir que investigadores americanos questionem as viúvas, as relações entre os dois países podem melhorar.
Na última segunda-feira, após um dia de intensas trocas de acusações, a rede de TV americana CNN informou que o governo do Paquistão deve permitir o acesso dos Estados Unidos. A agência de notícias Bloomberg e o jornal "The New York Times" também reportaram a notícia, citando fontes do alto escalão do governo americano.
No entanto, a chancelaria paquistanesa afirmou, ontem, que não havia recebido qualquer pedido formal dos Estados Unidos por acesso aos parentes de Bin Laden que são atualmente interrogados por funcionários do país. Segundo a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Tehmina Janjua, também não houve pedidos de extradição dos países de origem das viúvas de Bin Laden, o Iêmen e a Arábia Saudita.
O Paquistão também tem sob custódia a filha de Bin Laden que estava com ele durante a operação. A menina teria entre 12 e 13 anos e afirmou que o pai foi capturado vivo e, depois, executado pelos americanos.
Cerca de 18 pessoas estavam na casa no momento da invasão dos Estados Unidos, inclusive seis crianças. Os americanos planejavam levar para o seu país as mulheres e crianças, mas desistiram do plano depois que um dos helicópteros caiu e foi destruído pelos próprios soldados.
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